segunda-feira, 14 de abril de 2008

Introspecções

Teve um dia em que eu mordi uma menina. Aos quatro anos. Ela era da Infância Feliz (uma creche sustentada pela minha igreja), e eu era instruída a tratar ainda melhor aquelas crianças órfãs. Mas ela se sentou no meu lugar. Eu tinha me levantado pra apontar os lápis de cor, e quando voltei ela estava lá, e não quis sair. Aí eu mordi. E aí ela saiu: ela e todo mundo que estava na mesma mesinha.

Hoje tô me sentindo assim, como se tivesse novamente mordido alguém pra que saísse da minha vida, e aí a pessoa saiu e levou meus amigos com ela. Sinto a mesma vontade de chorar de 30 anos atrás.

Essa justiça que funciona aos meus olhos e só é cada vez mais questionada por mim. Algumas pessoas sempre estarão do meu lado, nas minhas decisões. Mas eu estou mesmo pensando o que realmente vale a pena. Estou mesmo pensando em quem realmente vale a pena. Porque estou de fato cansada de tentativas.

Mas eu também preciso deixar registrado que mãos quentes que tocam meus braços frios no meio de uma peça em um semi-abraço ainda me causam dúvidas quanto ao seu real significado.

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