quarta-feira, 29 de abril de 2009

Já dizia Paulo aos filipenses


Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

domingo, 19 de abril de 2009

Dia do Senhor

Domingo de manhã.

Dia em que sinto mais falta de morar com meus pais.


É, eu sinto falta de vez em quando. Sinto saudade, aliás. Porque o tempo de morar com eles já passou (é, a gente cresce, amadurece, muda). Meu pai já se foi. Minha mãe mora longe. Mas os domingos com eles são inesquecíveis.


Os domingos começavam, na verdade, tarde da noite, no sábado. Casa de pastor é muito corrida em finais de semana: é boletim da igreja pra fazer (minha mãe datilografava o boletim sábado de manhãzinha e meu pai rodava no mimeógrafo - a tinta, nem era a álcool - pouco antes do almoço), é supermercado, açougue e quitanda, é seminarista chegando pra passar o final de semana... Sempre tinha pelo menos um seminarista lá em casa. Vindo de Campinas. O mais marcante pra mim foi o Tércio: deve ter ficado uns dois anos indo lá, direto. E era divertido, brincava comigo.


Sábado à noite os cheiros na cozinha começavam: comida especial e caprichada (minha mãe morria de dó dos seminaristas que se alimentavam mal durante a semana), aromas de assados no ar, cheirinho de pudim no forno. E meu pai no pé da minha mãe, pra ela largar a cozinha e ir dormir, descansar, dizendo que ele cuidaria de tudo. Foi sempre assim.


Domingo cedinho, meu pai se trancava no escritório. Estava estudando o sermão do culto da manhã, ou preparando a aula da Escola Dominical. Minha mãe estava de novo na cozinha, dando os últimos retoques, deixando tudo pronto pro almoço. A mesa do café sempre estava pronta quando eu acordava. Geralmente acabava tomando café sozinha no domingo, porque tudo era muito corrido. Eu sabia bem o que fazer nas manhãs dominicais: acordar na hora, tomar banho, vestir uma roupa e perguntar pra minha mãe se aquela estava boa, tomar café, tirar a mesa e chegar na igreja na hora certa (levando comigo Bíblia, hinário e revista da Escola Dominical, com a lição estudada). Geralmente me atrasava uns cinco minutinhos. Ia correndo com a mamãe. Meu pai não nos esperava, porque tinha que chegar um pouco mais cedo. Sempre morávamos bem perto da igreja, coisa de um ou dois quarteirões. Já na igreja, tudo se acalmava, e nossa rotina não era mais tão diferente da dos outros fiéis ali. A não ser pelo fato de que éramos os últimos a sair da igreja, por volta de 11h30, com a minha mãe andando rápido à frente pra "ajeitar o almoço". E aí meu pai, mais atrás conversando com o seminarista, ficava perguntando alto "mas você já não fez tudo essa madrugada? Nem foi dormir pra ficar fazendo o almoço"! E aí minha mãe emburrava... e era sempre assim. E era incrível, e era a minha infância, e era a minha família.


Eu me lembro bem do dia desta foto: um domingo de manhã, em Tietê, na volta da igreja. Eu estava bem feliz com a minha sombrinha nova. E não sei o nome dessa árvore aí atrás, mas vira e mexe vejo uma dessas por aí, com flores cor-de-rosa, e me lembro dessa casa, que nem existe mais.

sábado, 18 de abril de 2009

Resiliência e borboleta


Pois é. Sabe aquela historinha que todo mundo já leu algum dia na internet? Da borboleta que precisa sair sozinha do casulo, aí o homem fica com dó e resolve ajudá-la, e ela nunca consegue voar por não ter passado pelo processo todo que era necessário à sua metamorfose? Então. Acho que agora é a minha vez.
Tenho me sentido assim. Vitoriosa a cada pequeno passo. A cada 100g eliminados. A cada não que digo pra alguma coisa, recebo um sim de volta pra mim.
Hoje aprendi o que é resiliência. A resiliência é caracterizada por um conjunto de atitudes adotadas pelo ser humano para resistir aos embates da vida. O termo vem de uma propriedade da Física sobre a capacidade que os corpos têm de voltar à sua forma original, depois de submetidos a um esforço intenso. Fazer a simples transposição da Física para a Psicologia não é possível porque, aplicado aos seres humanos, o conceito se destaca exatamente pela capacidade do indivíduo dar a volta por cima das situações de risco e voltar TRANSFORMADO, crescendo com a experiência.
O sem-número de dietas que já fiz na vida (e que deram errado) seriam um bom motivo pra que eu desistisse de emagrecer. Mas eu não desisto. Eu quero muito. Tenho tolerância zero com a obesidade na minha vida. Mais e mais, a cada dia.
Tô no casulo. Logo logo, vem a borboleta aí.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Dos sustos que a vida dá


Eu procurei uma imagem do Homem Vitruviano pra postar aqui. E aí o Google me mostrou essa. E tem muito mais a ver. Porque João Paulo e Homer Simpson são indissociáveis.
Pois é, e o João deu um sustão na gente. Ainda está na UTI. Ainda inspira muitos cuidados. E a gente não sabe o que vem pela frente.
Aliás, a gente nunca sabe. Planeja mil coisas, agenda mil compromissos... e aí de repente a vida muda tudo. Nosso corpo, nosso cérebro. Eles nos pregam peças. Essa máquina esquisita que somos.
E o João Paulo é o melhor parceiro pra jogar War. E é meu compadre. E é marido da Márcia, minha comadre. Amiga, mãe e irmã. Ele estava comigo quando meu pai morreu. Eu estava com ele quando a mãe dele morreu. E ele foi um dos primeiros na Igreja da Pompéia a vir falar comigo. No ônibus, na Paulista, em um dia em que eu voltava da Trinitariana.
E eu não posto foto dele porque ele não gosta. Pediu pra eu não pôr foto dele no orkut.
Ele é o que a Bíblia chama de 'amigo mais chegado que um irmão'.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Caraguá

Essa foto foi tirada pela Laís.


Um Alfa Romeo me levou pra Caraguá pela primeira vez. Janeiro de 1983. Eu tinha oito anos e fui passar as férias com a minha família numa edícula dos vizinhos de São Miguel Paulista. Acho que o vizinho, Seu Alberto Siqueira (casado com a D. Nancy e pai das minhas amigas Andréia, Patrícia, Luciene e Daniele, além do Robinson, não-meu amigo!) alugou a casa pro meu pai por um preço bacana. Foram férias incríveis. Ainda tinha o Gobbi. E o Ary estava há pouco tempo na família. E tinha todas as minhas amigas. E outras amizades que fiz ali, pela vizinhança da Praia do Indaiá.

Caraguá era bem diferente do que é hoje. O acesso era difícil. Tinha muita queda de barreira na Tamoios. Muitas vezes não dava pra voltar pra São Paulo. Só as ruas do centro da cidade eram calçadas. E tinha a sorveteria Aldo... a melhor do universo. E tinha o pão de queijo da Docimar... e tinha o mar.

A sorveteria Aldo não existe mais. A Docimar existe, mas não é mais a mesma coisa. O mar, graças a Deus, continua o mesmo.

E aí meus pais se apaixonaram por Caraguá, nessa primeira viagem. E sonharam em construir uma casa lá, pra morarem quando se aposentassem. E aí se aposentaram em 97 e foram pra lá. E eu fiquei em Sampa e fui morar sozinha.
Meu pai não está mais lá fisicamente, embora a presença dele esteja na casa toda, o tempo todo. Minha mãe está lá, mudada, mais forte.

Agora, Caraguá é meu refúgio. É inexplicável o que sinto quando vou pra lá. O que sinto quando estou lá, sob aquele teto, aquelas paredes, tão impregnadas dos sonhos dos meus pais. Para os estranhos, é só uma casa. Pra nós, os filhos, é muito mais. Foi muita luta pra conseguir construir. E muita luta pra manter a casa, também. Sinto-me culpada por não poder ajudar... sinto-me mal. E sinto-me bem por saber que meu pai pensou nisso: que a casa seria nosso refúgio. Porque há ocasiões na vida em que PRECISO ir pra Caraguá. Renovar as forças. Pedir uma bênção. Sentir-me amada, acima de tudo. O mar, a cidade, as outras coisas... são só as outras coisas. Mas lá é que é meu chão. Minha raiz. É lá onde me lembro mais de quem sou eu.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Em homenagem a tantos pés na bunda que já levei

Receita para comer o homem amado (Ivana Arruda Leite)


"Pegue o homem que te maltrata, estenda-o sobre a tábua de bife e comece a sová-lo pelas costas. Depois pique bem picadinho e jogue na gordura quente. Acrescente os olhos e a cebola. Mexa devagar até tudo ficar dourado. A língua, cortada em minúsculos pedaços, deve ser colocada em seguida, assim como as mãos, os pés e o cheiro-verde. Quando o refogado exalar o odor dos que ardem no inferno, jogue água fervente até amolecer o coração. Empane o pinto no ovo e na farinha de rosca e sirva como aperitivo. Devore tudo com talher de prata, limpe a boca com guardanapo de linho e arrote com vontade, pra que isso não se repita nunca mais."


(Cena do filme O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante)

sábado, 4 de abril de 2009

As minhas meninas

Quem me conhece, sabe: sou uma tia apaixonada pelos sobrinhos. Tenho seis: Vevê, Lalá, Lili, Thô, Mariluca e Livinha. As idades variam entre 24 e 2 anos. E isso é uma delícia. E eu daria a minha vida por cada um deles. Porque a vida de cada um deles é o que de mais precioso eu tenho na minha.

E aí essa noite duas delas, Lalá e Lili, sofreram um acidente de carro. Indo pra balada. O amigo que dirigia estava bêbado. E eu senti meu coração acelerar quando minha irmã me contou, hoje de manhã, quando tudo já estava bem e elas estavam dormindo no quarto delas.

Graças, muitas graças a Deus por não terem tido nada sério. Porque a vida está mesmo por um fio, sempre. Mas as minhas meninas... essas eu quero comigo pra sempre. A gente não quer que ninguém da família vá embora. Nunca. Mas, pela ordem natural das coisas, eu vou e meus sobrinhos ficarão. Combinado? Beijo da tia Ked.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Quem saberia perder?



O vídeo é só pra poder compartilhar uma música que amo, na interpretação mais linda que já ouvi. Quem tem coragem de responder à pergunta? Quem saberia perder?

Saudade


Eu sinto saudade da internet. Quando ela some da minha vida. Terça-feira passada ela sumiu. E hoje voltou. Quando quis. Como sempre: só volta quando quer.


Outra coisa que voltará em 3 de maio: Godot. Pois é.


E o Quixote? Volta também. Dia 15 de maio.


Tem coisas que voltam e são incríveis. E nos deixam bem felizes.


Que volte só o que for bom. Por favor.