
O dia hoje não teve sol assim, nem foi ao entardecer que fui até lá.
Pela manhã, dia nublado, com a cara e a coragem, fui andar no Parque do Ibirapuera. Sozinha. Leva-se o básico: squeeze com água gelada, documentos (é, eu levo a carteirinha do plano de saúde), celular (pra poder marcar o tempo, já que não uso relógio) e só.
Só? Só. Ando só. Com meus pensamentos, minhas divagações. Um momento não só para a atividade física ter lugar, mas a atividade mental também. Hora de pensar no que passou, planejar o futuro (sim, fazemos isso), olhar pro chão (a pista de cooper do parque é de terra, cheia de possíveis imprevistos), espiar a paisagem. Ouvir passarinhos, ver formigueiros enormes, pisar nas folhas e flores que cobrem o chão pra nos lembrar que o outuno chegou. Rir com um cachorro que sai correndo e rola numa poça de lama, pra desespero da dona, que logo acaba rindo dele também.
Se há um território onde o gordo se sente menos julgado é durante a prática de algum exercício físico. Não há o olhar de reprovação de sempre. Andar pela praça de alimentação de um shopping com uma bandeja na mão é um desfile à intolerância. Não se admite que o gordo coma, muito menos em público. É como se ele já estivesse suficientemente alimentado pro resto da vida. No parque, o sentimento é o contrário. São olhares de apoio. São cumprimentos de gente que nunca viu antes, sorrisos... em plena São Paulo. A hora passa rapidamente durante a caminhada ali. Contornar o parque todo passa voando, e é uma delícia. Mas isso eu só descobri hoje.









