domingo, 22 de março de 2009

Nosso Ibira



O dia hoje não teve sol assim, nem foi ao entardecer que fui até lá.
Pela manhã, dia nublado, com a cara e a coragem, fui andar no Parque do Ibirapuera. Sozinha. Leva-se o básico: squeeze com água gelada, documentos (é, eu levo a carteirinha do plano de saúde), celular (pra poder marcar o tempo, já que não uso relógio) e só.
Só? Só. Ando só. Com meus pensamentos, minhas divagações. Um momento não só para a atividade física ter lugar, mas a atividade mental também. Hora de pensar no que passou, planejar o futuro (sim, fazemos isso), olhar pro chão (a pista de cooper do parque é de terra, cheia de possíveis imprevistos), espiar a paisagem. Ouvir passarinhos, ver formigueiros enormes, pisar nas folhas e flores que cobrem o chão pra nos lembrar que o outuno chegou. Rir com um cachorro que sai correndo e rola numa poça de lama, pra desespero da dona, que logo acaba rindo dele também.
Se há um território onde o gordo se sente menos julgado é durante a prática de algum exercício físico. Não há o olhar de reprovação de sempre. Andar pela praça de alimentação de um shopping com uma bandeja na mão é um desfile à intolerância. Não se admite que o gordo coma, muito menos em público. É como se ele já estivesse suficientemente alimentado pro resto da vida. No parque, o sentimento é o contrário. São olhares de apoio. São cumprimentos de gente que nunca viu antes, sorrisos... em plena São Paulo. A hora passa rapidamente durante a caminhada ali. Contornar o parque todo passa voando, e é uma delícia. Mas isso eu só descobri hoje.

sábado, 21 de março de 2009

Mais um degrau


Os medos. Hoje o tema da palestra na Meta Real foi esse. Alguns medos meus eu já conhecia, outros descobri hoje. Foi totalmente excelente! :)


E alcancei uma outra vitória, a segunda vitória desde que comecei o método. Minha primeira meta era sair do grau de Obesidade II. Já alcancei há um tempo. A segunda meta era chegar a um peso com dois dígitos! Isso eu alcancei hoje. Motivo pra muita comemoração. E agora, foco na próxima meta: sair do grau de Obesidade I e entrar na marca de Sobrepeso. Quando alcançarei? Não sei ainda. Mas sei que chego lá. Dois degraus eu já subi.

Passarinho me contou



@pimentta foi quem disse: "Passarinho me contou agora é Twitter". Achei ótima a expressão. Porque o Twitter foi o que de mais legal eu conheci na internet nos últimos tempos. Depois do Orkut, do qual sou fã, vem ele. Não sabe como funciona nem o que é isso? Tem uma explicação bacana dada pela @anaestela, que peguei lendo o @fabios. Já o @fabios eu conheci enquanto estava espiando pelo Twittervision 3D. E foi esse programa que me fez pirar e pensar em criar esse post.

Ver o mundo do alto, via satélite. Observar as luzes mil nos Estados Unidos, as nem tantas luzes assim na América do Sul, o Japão como uma ilha de luzes, enquanto a África é banhada pelo sol. Não bastasse essa visão macro do nosso planeta micro, ainda nos mostram a Terra girando pra um lado e pro outro de acordo com as twittagens por aí, mundo afora. 140 caracteres, em todo o Planeta. Cada um no seu universo. E fiquei um bom tempo observando o que era escrito, e por quem. A minha expectativa é aguardar as mensagens que vem (já não tem mais acento, né?) do Brasil. Fico feliz vendo gente escrever do Recife, do Rio, de Mato Grosso, de Sampa. Talvez seja uma brincadeira de 'se mágico', onde quase dá pra imaginar como é ser Deus. Vendo a vidinha de cada pessoa ali. Li tweets do mundo inteiro. Uma pessoa fala que vai dormir, no Reino Unido; outra fala que está ansiosa pelo casamento da Jullie logo mais, nos EUA; outro diz que está cansado e o dia mal começou, na Argentina; na India, alguém diz 'drama drama drama'; alguém reclama do gato na Rússia; vejo as fotos de cada um e tento imaginar onde mora, quantos anos tem. E há peculiaridades: no Japão, ninguém aparece com foto. São sempre mangás. Sempre, invariavelmente. E não é possível ler o que escrevem, porque mantem (sem acento mesmo?) a escrita oriental.

Pra cada pessoa que aparece ali, nada mais importante do que a própria vida. Cada um com seu próprio mundo. Sua rede de amigos. Seus interesses. Seus dramas. Suas alegrias. É, somos assim. Únicos, em nossos universos particulares. Pra quem ainda não entendeu eu apelo: veja o vídeo e adira. @kedma agradece.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Eu quero!


Quem achar um desses, compra e me dá de presente? Obrigada.

Visual novo

Então... mudei a cara do meu blog, depois de quase um ano. Mais leve. Como eu.

A pensadora

Quero muito saber do que tenho medo.
Porque isso explicará.
Porque não sei dizer o motivo, mas hoje simplesmente não consegui, não quis, whatever, seguir o método. E comi o que quis, quando quis, quanto quis. Comi de passar mal. De me sentir mal. E não saí de casa, e é uma sexta-feira linda, e recusei o convite pra uma festa e outro convite pra uma botecada.
Amanhã encaro meu medo. Meus medos. Vou à palestra. Me peso. Vejo o que aconteceu. Por hoje, fico aqui pensando. Qual a resposta?

quinta-feira, 19 de março de 2009

A vida e a época de Kedma Franza, o Gregor Samsa da família

Ontem, durante o ensaio de A Metamorfose com a Cia. dos Imaginários, tive um insight. Aquela coisa de 'e se fosse comigo' me fez perceber que sim, de alguma forma, um dia aconteceu comigo uma metamorfose.

Não sou de uma família de obesos. Não em primeiro grau. Irmãos, mãe, magros. Meu pai era gordinho, mas nunca houve grandes piadas a respeito do assunto, ou qualquer preocupação até o primeiro infarto dele.

E aí eu cheguei: temporã, mas uma criança saudável. Magra, eu diria. Sempre fui taxada de 'alta', mas nunca de gorda. E de tão alta, cresci mais do que as outras da minha turma. Aos 12 anos, tinha um corpo de meninas de 16. Mas minha cabeça era de 12. A cabeça de uma menina filha de pastor com 12 anos. Uma menina assim não poderia admitir ser sexualmente desejável, como já vinha sendo. Homens já mais velhos (com seus 20 e poucos anos) olhavam de um jeito que já denotava um interesse com o qual ela não sabia lidar. E aí começou a engorda. Devagar, primeiro. E de forma acelerada aos 13 anos, com a mudança pra cidade grande e a escola de uma classe social abissalmente distante da sua. 'Melhor se proteger', disse o inconsciente. 'Engorde', continuou ele. E aí uma nova imagem, falsa, se criou. Porque jamais achei legal ser gorda. Jamais achei sexy. Jamais achei bonito. Nem pra mim, nem pra ninguém. Sempre pensava 'poxa, mas se gordo/gorda é bonito assim, imagine magro'. E minha família não sabia o que fazer comigo. Vários episódios estressantes, com todo mundo da família. Rolou desde a ajuda sutil (ganhei uma esteira no aniversário de 20 anos) até o confronto direto, com frases como 'tenho vergonha de sair com você'. Hoje me pergunto se era pra tanto. E não, não era. Talvez o abalo de tanta pressão pra que eu emagrecesse tenha sido mais nocivo do que a própria gordura em si. Porque eu queria me manter também longe dessa família (e hoje entendo mais os motivos disso... papo pra outro post), e sem dúvida a gordura é um obstáculo. A gordura me faz parecer forte. E mantém todos distantes de mim, ser metamorfoseado monstruosamente. Tão bonita... mas gorda. Agora, comigo magra, não sei o que virá. Mas estou disposta a pagar pra ver.

Terapia


Ontem li a notícia de que 'manter um blog é terapêutico'.

Acredito que sim.

Não sou muito de ficar falando o tempo todo de dieta. Talvez até faça isso, mas mais como piada. Não que eu realmente seja muito chata, mas meus amigos sabem quando estou fazendo algo a sério ou não. É o que eu penso... não sei o que eles pensam.

Realmente, pra mim, o blog é terapêutico. E é curioso que eu escreva isso bem agora, quando decidi que vou parar a terapia. Falta comunicar a minha decisão à terapeuta, mas já não quero mais ir. Há três sessões não vou. Semana que vem, vou lá dizer 'até logo'.

Três motivos me levaram à terapia: queria emagrecer, queria namorar, queria parar de gastar. Estou emagrecendo, vi que o 'não-namorar' não é um problema meu, e tenho me controlado nas finanças. Não fiz novas dívidas. E depois de dois anos de divã, pouco mais, até, decidi que já chega. Cansei. De minha vida quero falar só pra mim. É isso.

Aconteceu de novo?

Há um tempo observo o seguinte no meu emagrecimento: quando estou perto de atingir alguma meta que estabeleci, me saboto. Paro o que estava fazendo de certo e acho que consigo alcançar os mesmos objetivos sem abrir mão de qualquer outra coisa que eu queira. Não é bem assim. Para emagrecer, eu abro mão dos maus hábitos alimentares. E esta semana, em que eu espero chegar aos dois dígitos (sábado passado estava com 100,4kg, falta bem pouco), chutei o balde. Não agi corretamente como vinha agindo. Espero retomar amanhã (que seja), já que hoje já parei de comer. Antes tarde do que mais tarde. Ou nunca.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Minhas metas, minhas metas...

Preciso registrar aqui a mudança que está havendo na minha vida. Iniciei o método da Meta Real dia 02/02. Sim, escolhi essa data de propósito. Este ano fez sete anos a morte do meu pai, e foi uma das pessoas que conheci que mais intensamente viveu. Que me sirva de exemplo, e que minha obesidade não me impeça de fazer o que quero. Já emagreci 8kg desde então. E estou ótima. Feliz, felicíssima!

Taí uma foto da Aurora, minha orientadora. Tenho muito a agradecer a essa mulher! Exemplo.