sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Joke - parte 1

Eu preciso escrever, sabe?

Queria ter escrito um diário da viagem. Mas não fiz isso. E me lembrei da Zélia Gattai, que disse uma vez que nunca anotava nada antes de transformar as memórias em livros. "Senão, não são memórias, ora", disse ela. Concordo. E como não pretendo escrever um livro, e mal dou conta de escrever um blog, puxo agora da memória pra começar a saga que tem sido essas mudanças todas em minha vida.

14 de agosto, 18h35min. Era essa a hora prevista pra chegada do voo do Joy em São Paulo. Eu já havia deixado tudo arrumado em casa: mala pronta, tudo no seu lugar, cafezinho no jeito pra quando ele aparecesse no dia seguinte... E lá cheguei ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Tensa com o trânsito carregado que peguei até lá (sem falar em um ônibus, três metrôs e outro ônibus), corri pra olhar o painel de chegadas. Voo 261 já aparecia lá. Previsão de pouso: 7 minutos. Sete minutos. Pra quem esperou sete anos, isso era nada.

Fui ao banheiro, chequei maquiagem, sorriso, fiz xixi. Fiquei pronta. Comprei uma água, bebi lentamente. Continuei a olhar o painel, já sentindo a tensão nos ombros. Avião em terra. Desembarcando. Respirei fundo e... plantei-me em frente ao portão de desembarque. Pensei no lugar em que ficaria a esperar por ele. Achei justo que tivesse um ângulo de visão privilegiado para ambos. Não ficaria escondida. Ficaria bem à vista, esperando pelo olhar dele a me reconhecer. E esperei.

E esperei.

E esperei.

E esperei, pacientemente. Pensei, algumas vezes: "E se eu não o reconhecer? E se todos que estiverem no voo, indianos, forem parecidissimos e eu me confundir? E SE ELE NÃO VIER?"

E assim, esperando, ansiando, tremendo, olhando sem parar para todos os movimentos no portão, fiquei por uma hora. Não resisti e liguei pra Keila. Estava muito sozinha ali. Falei que ele estava demorando pra aparecer. Que eu não esperava mais. Que estava dif... PERAÍ QUE É ELE TCHAU.

E aí eu o vi. Mesmo rosto sereno que conheci na webcam. A ginga do andar, que eu não conhecia, vi ali. O olhar pra mim, vi em seguida, quando os olhos dele acharam os meus. E veio direto até mim, sem titubear. E nos abraçamos, longa e fortemente. E senti a pele dele, o cheiro dele, a respiração dele. E o beijo dele. Um selinho, como convém em público. E percebi que ele, o Joy, estava ali. Ao meu alcance.

E foi só um reconhecimento. Já nos conhecíamos há tanto, já nos esperávamos há tanto, que só alguns detalhes nos surpreendiam. "Você não é tão alta quanto eu pensava", disse ele. "Você não está tão barrigudo quanto eu pensava", disse eu. E conversamos, meio timidamente. E compramos um chip brasileiro pra ele. E trocamos dólares por reais. E fomos para o táxi. E trocamos livros no táxi. De mim, ele ganhou "Como falar quase tudo em português". Dele, ganhei "Real love in marriage". Nem preciso dizer como fiquei confusa com o presente... tão cedo, tão sério. Tão bom.

E assim, ele foi sendo apresentado ao Brasil, a São Paulo, a mim. Aos poucos. Mas bem intensamente.

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